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Inovação

LNEG lança plataforma OGC API para disponibilização de dados de elevado valor

A Waymotion desenvolveu, com a Unidade de Informação Geocientífica do LNEG, a plataforma que publica em normas abertas os dados de geologia e energia do laboratório — da Carta Geológica de Portugal aos atlas de recursos energéticos.

A Waymotion desenvolveu, com a Unidade de Informação Geocientífica do LNEG, a plataforma que publica em normas abertas os dados de geologia e energia do laboratório — da Carta Geológica de Portugal aos atlas de recursos energéticos.

Índice

O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) lançou a sua Plataforma OGC API, dedicada à publicação de dados de elevado valor em formato aberto e interoperável. A Waymotion desenvolveu a plataforma em conjunto com a Unidade de Informação Geocientífica do LNEG, e ela integra-se no geoPortal do laboratório.

Mais do que disponibilizar dados, o verdadeiro desafio da transformação digital está em tornar a informação pública verdadeiramente acessível, interoperável e reutilizável. É essa a diferença entre um ficheiro que se descarrega e um serviço que se consulta.

O que está publicado

A plataforma arrancou com mais de sessenta coleções, que cobrem boa parte do acervo geocientífico do laboratório:

  • Carta Geológica de Portugal, em dados harmonizados às escalas 1:1 000 000, 1:200 000 e 1:50 000 — litologias, idades representativas, falhas e sondagens.
  • Carta Hidrogeológica de Portugal à escala 1:200 000, com classificação e aptidão aquífera, nascentes, hidroquímica e recursos hidrominerais.
  • Recursos hidrogeológicos: sistemas aquíferos, unidades hidrogeológicas e pontos de água.
  • SIORMINP, o inventário de ocorrências minerais, com mais de cinco mil registos.
  • SondaBase, a base de dados de sondagens.
  • Atlas Geotérmico: densidade de fluxo de calor, gradiente geotérmico e temperaturas a 250, 500, 1000, 2000 e 5000 metros de profundidade.
  • Atlas Eólico e OffshorePlan, com o recurso eólico a 20, 80 e 100 metros e o recurso energético das ondas.

Porquê uma OGC API

Os dados publicados enquadram-se na categoria temática «Observação da Terra e Ambiente» dos conjuntos de dados de elevado valor definidos pelo Regulamento de Execução (UE) 2023/138, que obriga à disponibilização destes dados em formato legível por máquina, através de serviços de programação, e sem barreiras de acesso.

As normas OGC API são a geração que sucede aos serviços WMS e WFS: em vez de um protocolo próprio, uma API REST descrita em OpenAPI, com respostas em GeoJSON e em HTML na mesma URL. Na prática, isso significa que a mesma coleção serve um visualizador de mapas, um script de análise e um portal público, sem conversões pelo meio.

A plataforma do LNEG implementa as classes de conformidade OGC API — Features (partes 1 a 5, incluindo sistemas de coordenadas, atributos consultáveis e esquemas), Maps e Tiles, esta última com mosaicos vetoriais. A nomenclatura das coleções segue os tipos de dados da Diretiva INSPIRE, o que mantém os conjuntos alinhados com o resto da infraestrutura europeia de informação geográfica.

Consultar o inventário de ocorrências minerais é, do lado de quem usa, uma linha:

curl "https://ogcapi.lneg.pt/collections/siorminp-mineral-occurrences/items?f=json&limit=10"

A resposta é GeoJSON, com as coordenadas já em WGS 84 e os atributos originais preservados — génese, dimensão, geologia local e regional, eixos de viabilidade. Não é preciso pedir acesso, registar uma conta nem instalar um cliente.

Um passo na modernização da IDE do LNEG

A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do projeto DataIntel, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, e faz parte do processo de modernização da Infraestrutura de Dados Espaciais do LNEG.

O valor deste trabalho mede-se em três frentes: acessibilidade, porque a informação geocientífica passa a estar ao alcance de cidadãos, investigadores, empresas e administração pública; interoperabilidade, porque deixa de ser preciso conhecer o sistema de origem para consumir os dados; e valor económico, porque o conhecimento científico produzido em Portugal se torna matéria-prima para quem constrói em cima dele.

Fica o agradecimento à equipa do LNEG pela colaboração ao longo do projeto.


A migração dos dados dos sistemas de origem para esta plataforma é feita por um orquestrador de ETL que construímos para o efeito. Contámos essa história em «Porque construímos o Wayler».

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